Demanda por aviões é alta, mas há gargalo na produção

Companhias aéreas de baixo custo em mercados emergentes e aeroportos secundários são o principal fator de expansão das vendas de aviões.

Na semana passada, em uma feira do setor na Inglaterra, quase 1,5 mil aeronaves foram encomendadas, em negócios da ordem de US$ 200 bilhões. Foi o melhor resultado em meia década. A questão agora é saber se os fabbricantes conseguirão entregar – há gargalos na cadeia de produção – e se o ritmo de formação de pilotos vai acompanhar a demanda aquecida por mais aviões.

 

Esses contratos superaram os 1.226 aviões negociados na feira de Paris, em 2017. Representou também aumento de quase 100% sobre os 742 aviões vendidos na edição anterior da feira inglesa, em Farnborough, em 2016. Antes, a melhor feira anual do setor havia sido a de Le Bourget de 2013, quando 1.526 aeronaves foram negociadas.

 

“Haverá turbulência em algum momento, mas por enquanto, os céus estão limpos, os avisos do cinto de segurança estão desligados e estamos navegando a uma altitude confortável”, escreveu a consultoria britânica Flightglobal, em relatório divulgado nesta semana. “Apesar do aumento dos pedidos em atraso e de uma cadeia de suprimentos sobrecarregada, a demanda por aeronaves segue forte”, apontou a firma.

 

“Pela primeira vez em anos, estamos vendo o crescimento de economias em todas as regiões do mundo”, disse o vice-presidente de marketing comercial da Boeing, Randy Tinseth. Ele observou que há expansão do tráfego e os aviões mais antigos da frota global estão envelhecendo e precisam ser trocados.

 

O motor da demanda tem sido as companhias aéreas de baixo custo. Elas responderam por mais de 70% das encomendas feitas. “Na América Latina, em particular, tivemos o prazer de chegar a um acordo com a VivaAerobus para o incremento de 25 A321neos e a troca de 16 A320neo por modelos maiores A321neo na frota. Essas aeronaves adicionais oferecerão à VivaAerobus uma proposta de valor ainda mais forte no México”, apontou o vice-presidente de vendas da Airbus América Latina e Caribe, Arturo Barreira, citando a aérea de baixo custo mexicana.

 

As fabricantes de aeronaves revisaram para cima as projeções para a demanda potencial. Durante Farnborough, a Boeing estimou que a demanda mundial por novos aviões vai somar US$ 6,3 trilhões ao longo das próximas duas décadas, quando as companhias aéreas e empresas de leasing vão encomendar 42,7 mil aeronaves. Esses números representam aumento de 4,1% ante a projeção anterior da companhia. A frota global deverá dobrar de tamanho, para 48.540 até 2037, diz a Boeing.

 

No segmento de jatos menores, com até 150 assentos – usados em especial pelas companhias regionais e aéreas de desconto -, a demanda mundial vai atingir 10.550 novas unidades nos próximos 20 anos, previu a Embraer. Esses pedidos somariam em negócios da ordem de US$ 600 bilhões. Um ano atrás, a mesma Embraer havia projetado uma demanda menor em 20 anos, para até 6,4 mil jatos.

 

A Embraer saiu da feira de Farnborough com 300 encomendas, entre pedidos firmes, opções e cartas de intenção compra, em negócios da ordem de US$ 15 bilhões a preço de lista, o que pode elevar a carteira de pedidos (backlog) da empresa em quase 85% sobre os atuais US$ 18 bilhões.

 

Mas para cumprir esses cenários, a empresas terão que contornar gargalos nas cadeias da indústria e das transportadoras. As fabricantes de turbinas Rolls-Royce, Pratt & Whitney e General Electric não estão conseguindo acompanhar o ritmo da produção de jatos.

 

A Airbus, por exemplo, tem mais de 100 unidades prontas, aguardando a chegada dos propulsores. No primeiro semestre, a fabricante europeia entregou 303 aviões, sendo que a meta para o ano é de 800 aviões. O CEO Tom Enders, admitiu na Inglaterra que enfrenta uma “corrida infernal” para cumprir a meta neste ano.

 

Mesmo que resolvido o desafio da indústria, a aviação mundial terá que acelerar o ritmo de formação de pilotos e outros profissionais do transporte aéreo. A Boeing estima que a indústria mundial da aviação comercial vai demandar mais 790 mil pilotos nos próximos 20 anos, segundo o estudo Pilot & Technician Outlook, realizado pela empresa e divulgado essa semana. O diretor-geral da Iata, Alexandre de Juniac, alertou durante o último encontro global da entidade, realizado em junho na Austrália, que a falta de piloto já é um problema em algumas partes do mundo. “Todas as companhias aéreas estão conscientes”, disse o executivo.

 

FONTE: Valor Econômico por João José Oliveira

Leave a Reply

Your email address will not be published.


Sobre

A Associação Brasileira de Aviação Geral , ABAG, foi criada com o intuito de defender e promover os interesses de pessoas e organizações que operem aeronaves como forma de apoio a seus negócios de forma íntegra e profissional, angariando o reconhecimento da sociedade e do governo como seu legítimo interlocutor com a Aviação Geral.


© ABAG 2019 . www.abag.org.br . Todos os direitos reservados



Endereço

Rua Coronel Tobias Coelho, 147 – Aeroporto | São Paulo/SP

+55 (11) 5032-2727

Redes Sociais:

Facebook

Linkedin


Newsletter