Venda de jatos executivos volta a crescer

O diretor-geral da ABAG, Flavio Pires, divulgou dados e disse que o ano que passou trouxe sinais de retomada para a aviação executiva, porém o otimismo deve ser cauteloso
20 de fevereiro de 2020
Executivo
O diretor-geral da ABAG, Flavio Pires, divulgou dados e disse que o ano que passou trouxe sinais de retomada para a aviação executiva, porém o otimismo deve ser cauteloso

A euforia das ofertas de ações chegou aos céus. O bom funcionamento do mercado, que permite a circulação do capital e irriga companhias e empresários, está reaquecendo a aviação executiva no Brasil. A compra de jatos cresceu nos últimos dois anos, após a estagnação vivida a partir de 2014, e a expectativa é que esse ritmo se acelere.

A frota local ativa de jatos passou de 769 para 793, de 2018 para 2019, de acordo com dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). Em 2017, eram 756 unidades. O diretor-geral da organização, Flavio Pires, disse que o ano passado trouxe sinais mais claros de retomada, embora o otimismo ainda seja cauteloso.

No total, a frota brasileira de aeronaves executivas – em seus diversos modelos, incluindo turboélices e motores a pistão – é de 15,6 mil unidades. “O principal indicador da melhora é a demanda por jatos. É o maior termômetro do mercado de aviação porque somente empresários com vigor financeiro e que vislumbram cenário positivo para negócios fazem esse investimento”, afirmou Pires.

De 2010 a 2014, a frota brasileira de aeronaves executivas passou de 12,3 mil unidades para 15,1 mil. A partir de então, cresceu pouquíssimo anualmente, puxada quase que apenas pelos modelos turboélices, usados principalmente por empresários do agronegócio, pois são aviões apropriados para pousos em fazendas e pistas de terra.

A piora a partir de 2014 está diretamente relacionada à desaceleração da economia. Mas, além disso, a Operação Lava-Jato também teve forte impacto nesse mercado e tirou da frota nacional entre 70 e 80 aeronaves de grande porte – parte delas substituída por aviões menores. No setor, a operação ganhou o apelido de “Leva-Jato”. Muitos empresários em crise venderam seus jatos. Foi nesse período que o Brasil perdeu para o México o posto de segundo maior mercado de jatos executivos. Mas, segundo Pires, da Abag, a diferença é pequena, pois a frota naquele país é pouco superior a 800 unidades.

O céu ainda não é de brigadeiro, mas tudo indica que tempestade passou. Nas duas maiores importadoras que atendem esse segmento, Comexport e Sertrading, as estimativas para este ano são de aumento significativo de pedidos, com destaque para jatos de médio e grande porte. As tradings são a porta de entrada de jatos no país. O custo tributário na compra de um avião é da ordem de 30% sobre o investimento. Com uma importadora, a alíquota cai pela metade.

Alfredo de Goeye, presidente e fundador da Sertrading, contou que no ano passado movimentou R$ 920 milhões com a importação de aeronaves, com um total de 25 unidades. O volume é o dobro de 2018, quando foram vendidas 16 unidades. Para este ano, a expectativa é que o total possa alcançar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão.

De Goeye explicou que o aquecimento das ofertas de ações impulsiona a compra de aviões. Segundo ele, não se trata só do consumo de luxo, mas de investimento em produtividade por companhias que precisam de agilidade no deslocamento – especialmente, aquelas com atuação capilar no país, de dimensões continentais.

Excluída a megaoferta de ações da Petrobras em 2010, o ano passado foi recorde em operações na B3, com um total movimentado de R$ 90 bilhões. Para este ano, o consenso, até o momento, é de superação desse montante. Há diversas previsões e as mais otimistas estimam um volume de ofertas entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões.

A aposta estratégica mais ousada nesse mercado é da JHSF, segundo fontes ouvidas pelo Valor. A companhia investiu quase R$ 700 milhões na construção do primeiro aeroporto executivo totalmente privado (ver nesta página). Dos 60 slots disponíveis, após dois meses desde a inauguração, a empresa já fechou contrato para 30 e, em breve, vai inaugurar os serviços para voos particulares internacionais.

O presidente da TAM Executiva, Leonardo Fiuza, afirmou que há indicadores de melhoria, mas mantém a cautela: “O ano passado trouxe indícios de reaquecimento e a expectativa para 2020 também é de melhora. Contudo, é importante frisar que ainda não retomamos os mesmos patamares de atividade dos anos de crescimento econômico entre 2010 e 2014”.

Na importadora Comexport, Juliano Lefèvre, diretor comercial, contou que a expectativa é movimentar R$ 1,7 bilhão e que a maior parte desse volume já está contratada. O volume esperado é quase o dobro dos R$ 880 milhões do ano passado, quando foram comercializadas 32 aeronaves. Em quantidade, o executivo afirmou que a meta para 2020 está entre 55 e 65.

Sem revelar dados, Gustavo Teixeira, diretor de vendas da Embraer Aviação Executiva para América Latina, reforça o coro de otimismo – mas conservador – para 2020. Segundo ele, há um movimento de renovação de frota, com encomendas que tinham sido postergadas e que agora foram retomadas. “As unidades atuais oferecem melhor conectividade e, por isso, ainda mais eficiência na produtividade. Os aviões são verdadeiros escritórios com asas”, disse.

As opções da fabricante brasileira começam com unidades para seis pessoas, no valor de US$ 4,5 milhões, e vão até jatos que comportam 19 indivíduos e podem superar US$ 50 milhões. De acordo com Teixeira, diversos setores estão investindo. “Não é um movimento localizado”.

Fonte: Valor (17/02/2020)


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